A Mata Atlântica

A floresta e sua história

A Mata Atlântica é um dos cinco “hotspots” de biodiversidade mais importantes da Terra e a maior Reserva da Biosfera designada pela UNESCO, representando uma das regiões prioritárias para conservação a nível mundial. Séculos atrás, a floresta se estendia por mais de 130 milhões de hectares ao longo da costa leste brasileira, abrangendo trechos do norte da Argentina e leste do Paraguai. Hoje, no Brasil, restam apenas 7% da Mata Atlântica em bom estado de conservação, distribuído em fragmentos isolados acima de 1.000 hectares cada. Os últimos remanescentes desta exuberante floresta abrigam uma riqueza de diversidade biológica comparável à célebre Amazônia. Nos locais onde ela sobrevive, a Mata Atlântica apresenta uma das paisagens mais espetaculares da Terra, como a deslumbrante costa do Rio de Janeiro.

O desmatamento da Mata Atlântica teve início nos séculos XVI e XVII quando valiosas madeiras nobres, ideais para a construção naval e indústria moveleira, eram enviadas para a Europa. Entretanto, a maior parte do desmatamento ocorreu nos últimos cem anos. Hoje, algumas áreas de florestas ainda estão sendo derrubadas para o plantio de soja, cana-de-açúcar, pinus e eucaliptos, além da pecuária e do comércio ilegal de madeira.

A expansão das cidades e o desenvolvimento do litoral transformaram a vasta floresta na região mais densamente habitada e industrializada da América Latina. Apenas no Brasil, 70% da população -- mais de 130 milhões de pessoas -- reside na Mata Atlântica. Preservar o que resta da Mata Atlântica é uma prioridade de conservação global e um desafio urgente.

 

 

 

Diversidade

A Mata Atlântica abriga mais de 20 mil espécies de plantas, incluindo raras palmeiras, orquídeas e bromélias, e é reconhecida como um dos locais de maior diversidade de árvores do mundo. No sul da Bahia, cientistas do Jardim Botânico de Nova York encontraram 458 espécies de árvores em apenas um hectare – número maior do que o encontrado em toda a faixa litorânea leste dos Estados Unidos. Além disso, a Mata Atlântica abriga 2.180 espécies de vertebrados – mamíferos, anfíbios, répteis, peixes e aves. Mais de 800 destas espécies são exclusivas da Mata Atlântica. Devido ao alto grau de ameaça imposto ao bioma, 60% das espécies ameaçadas de extinção do Brasil encontram-se na Mata Atlântica.

A diversidade dos vertebrados e o endemismo da floresta são incrivelmente altos. A Mata Atlântica possui 12 gêneros endêmicos, ou seja, espécies não ocorrem em outro local do mundo, incluindo dois gêneros de primatas ameaçados que simbolizam a região e são as chamadas “espécies-bandeira”. Tratam-se dos micos-leões, dos quais existem quatro espécies, e dos muriquis, com duas espécies. Esforços para a conservação dos micos-leões têm demonstrado a importância da cooperação entre universidades, zoológicos, ONGs nacionais e internacionais e o governo brasileiro, o que resultou não só na sua proteção como também na preservação de suas florestas. As ações para a conservação e pesquisa focalizadas nessas espécies resultaram em numerosas iniciativas de proteção ao habitat dos primatas, assim como o treinamento de muitos conservacionistas brasileiros.

  

 

Desafios e Oportunidades

Mudança Climática

O desmatamento é a segunda maior causa - após a queima de combustíveis fósseis - pela emissão de dióxido de carbono que acarreta o aquecimento global. As florestas captam dióxido de carbono da atmosfera e o transformam em biomassa, como as raízes, os troncos e as folhas. Toda vez que florestas são queimadas ou cortadas, o carbono armazenado nelas é liberado. As ações necessárias para pôr fim ao desmatamento e reduzir os efeitos das mudanças climáticas são de grande escala e exigem uma articulação entre as esferas política, econômica e científica. A conservação e a restauração da Mata Atlântica reduzem os impactos da mudança climática e beneficiam comunidades humanas, assim como plantas e animais.

 

Escassez e Poluição da Água

Florestas saudáveis agem como esponjas gigantes que sugam a água das chuvas e as liberam, gradativamente, nos rios. Elas também protegem os cursos d’água e mantêm sua qualidade ao reduzir sedimentos e filtrar poluentes. A perda da floresta contribui para a erosão, a diminuição da qualidade da água e as mudanças nos fluxos hídricos. Atualmente, a escassez de água atinge mais de 40% da população mundial (Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, 2001). Milhões de brasileiros que vivem em metrópoles, como São Paulo e Rio de Janeiro, dependem da saúde das bacias hidrográficas para proteger os seus recursos hídricos. Comitês de grandes bacias- hidrográficas na Mata Atlântica começaram a coletar uma taxa pelo uso da água e a usar parte destes fundos para a conservação e a restauração dessas respectivas bacias.

 

Proteção de Áreas Públicas

Menos de 2% da área original da Mata Atlântica está protegida em unidades de conservação de proteção integral: parques nacionais, reservas biológicas e estações ecológicas. Esta área é insuficiente para assegurar a viabilidade ecológica de muitas espécies. Ações urgentes são necessárias para evitar a extinção de espécies. É importante trabalhar junto com os governos para estimular a criação de novas Unidades de Conservação (UCs) e implementar estratégias de gestão a fim de assegurar a conservação e a sustentabilidade destas áreas a longo prazo.

 

Proteção de Reservas Privadas

A maior parte da Mata Atlântica está nas mãos de proprietários privados. A criação de incentivos financeiros a proprietários de terra e organizações conservacionistas para a criação de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) é uma ação fundamental. Proprietários de terras podem voluntariamente proteger suas áreas de florestas de forma legal em perpetuidade e receber isenção fiscal por isso.

 

Desenvolvimento Sustentável

Comunidades rurais e tradicionais têm um importante papel na conservação e restauração das florestas. O emprego de métodos de produção sustentável em torno das unidades de conservação proporciona alternativas de renda sustentável para as populações locais e protege as florestas a longo prazo. A produção de artesanato, sementes, plantas medicinais, chás como erva-mate e outros produtos florestais não-madeireiros está crescendo rapidamente.

 

 

Construindo o futuro

Todos nós dependemos da natureza como provedora das condições ideais para uma vida saudável e segura. Não precisamos ultrapassar os limites do planeta, exaurindo seus recursos naturais para tomarmos consciência da importância da conservação ambiental. Nós temos a experiência, o conhecimento e os recursos para vencer este desafio.

Os serviços ambientais prestados pelas florestas são essenciais para a qualidade de vida da população, tais como a proteção a água, a regulação do clima, a proteção das bacias hidrográficas e do solo, o controle da erosão, a prevenção de inundações e a polinização, os quais são essenciais para o bem-estar humano. Em todo o mundo, estes serviços ambientais não têm sido devidamente valorizados. Entretanto, à medida que os recursos naturais tornam-se cada vez mais escassos, tem crescido o reconhecimento do seu grande valor.

Parcerias sólidas com governos, agências internacionais de financiamento, empresas, organizações não-governamentais, proprietários de terra e associações locais são essenciais para reverter o curso do desmatamento e promover a conservação e a recuperação da Mata Atlântica. A região é considerada o berço do movimento ambientalista no Brasil e concentra algumas das universidades, centros de pesquisas e ONGs mais renomadas do país. Ao catalisar o apoio de todos os setores da sociedade, esperamos atingir nossa meta comum de efetivamente proteger pelo menos 10% da Mata Atlântica até 2010.

 

 

© 2016 Pacto pela Restauração da Mata Atlântica