Mulheres de ImPACTO - Ludmila Pugliese


“Estou mais seletiva em minhas lutas, porém mais certa daquelas que assumo”

Mãe do Hugo e da Helena. Essa é a forma que gosta de ser apresentada a mineira que cresceu no Rio de Janeiro, passou alguns anos no Amazonas e hoje vive no interior de São Paulo. “Falo sem sotaques ou regionalismos, ou talvez tenha incorporado um pouco de tudo”, comenta Ludmila Pugliese. Bióloga atuando na área florestal, Lud traz consigo experiências e pessoas que contribuíram para sua formação e atuação profissional e, ao mesmo tempo, se tornaram referências e amigos. Ela estagiou com a professora Dalva de Mattos no tema de ecologia vegetal, desenvolveu seu mestrado com o professor Ricardo Rodrigues, trabalhou com Beto Mesquita e Márcia Hirota.




“É claro que no caminho encontrei situações e pessoas que representaram barreiras, e não foram poucas. Já tive que provar o que sabia, falar grosso, ignorar assédio entre outras barbaridades. Mas se tem uma coisa que sou é teimosa. E por vezes a situação que me mais me incomoda é a que mais me mobiliza e me dá gana para seguir adiante”, diz Ludmila.


Atuando hoje como consultora e sócia da Kawa Estratégias Sustentáveis fala que os anos trabalhando junto ao Diálogo Florestal e em organizações como SOS Mata Atlântica, Fundação Boticário e Instituto BioAtlântica aproximaram o tema da restauração e serviram como base para se desenvolver e “apoiar a construção, literal e conceitual, de um centro de referências, com atividade de produção de mudas, restauração florestal, pesquisa e experimentação, educação ambiental, gestão de pessoas e projetos, entre outros”.


Nessa trajetória Ludmila sinaliza que teve que enfrentar desafios para conciliar a maternidade com as entregas profissionais. “Alguns meses de repouso médico e mais seis meses de licença maternidade para cada uma das crianças me tiraram do mercado por aproximadamente quase dois anos. Acredito que essa ausência, acrescida de um período de cuidado maior com as crias tenham me afastado do mercado formal”. Apesar disso, foi através das consultorias que ela se aproximou de grandes projetos em parceria com instituições como WRI, IUCN, e Agência de Cooperação Alemã (GIZ), participando de importantes projetos com a elaboração da Política e do Plano Nacional para Recuperação da Vegetação Nativa (Proveg e Planaveg) em apoio ao Ministério do Meio Ambiente.


“Atualmente estou como secretaria executiva do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, onde divido com meu colega Severino Ribeiro, o desafio e responsabilidade de manter a chama acesa de um movimento que tem como meta restaurar 15 milhões de hectares em um dos biomas mais ameaçados do planeta”. A partir desse trabalho que surgiu a oportunidade de aproximação com o tema de gênero, junto com o Grupo de Trabalho (GT) Gênero e Diversidade. “As ações têm gerado os primeiros frutos: elaboramos e conduzimos o primeiro curso sobre a “Perspectiva de Gênero em projetos e ações de restauração” na Mata Atlântica; lançamos a cartilha “Semeando Equidade” – que traz a visão de mulheres experientes, em temas como Mudanças Climáticas, Governança, Mobilização Social, Empreendedorismo e Restauração de Paisagens. E, além disso, participamos da revisão das NBSAPs, do protocolo de monitoramento do Pacto e de várias outras palestras, seminários e projetos envolvendo a temática.


O trabalho avança e ter esse papel de liderança demanda tempo e energia. Ludmila explica que o apoio das pessoas próximas é essencial: “Isso tudo tem um custo, um preço e certamente sem a compreensão não teria chegado onde estou hoje. Tenho o privilégio de ter um companheiro e família que me apoiam e me ajudam a enfrentar essas situações. E mais, tenho uma rede de amigos e colegas que construí ao longo desses anos que me dá muito suporte e orientação”.


E para finalizar, Ludmila completa: “Eu vejo avanços e estou muito feliz por isso. Acredito que o trabalho que estamos desenvolvendo com seriedade e respeito tem repercutido de forma positiva. Estou sendo procurada para falar sobre o tema, sendo marcada em postagens, tenho recebido reportagens, apoio e comentários. De certa forma o GT se tornou referência sobre a temática. Acredito que estamos no caminho certo, mas ainda precisamos continuar buscando formas para inserir o tema nas diferentes esferas. Estamos na primeira fase de sensibilização e a fase de internalizar promovendo ações concretas de transformação ainda vai levar um tempo e requer muito trabalho. Isso faz parte, afinal não chegamos ao fim”. Cheia de energia com sorriso largo ela ainda reforça o convite para que todos passem a conhecer o trabalho do GT Gênero e Diversidade.



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